A INTEGRAÇÃO ENTRE SAÚDE E EDUCAÇÃO NO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA EM SIDROLÂNDIA-MS

DOI: 10.61270/2764-7641.2025.002

Leandro Navarro Santana
FACSUL – Faculdade Mato Grosso do Sul
Bacharel em Enfermagem (FACSUL – Faculdade Mato Grosso do Sul). Bacharel em Teologia (Unigran Capital). Pós-graduando em Saúde da Família (FAVENI). Profissional da Saúde na Unidade de Saúde Municipal “Diva Nantes” – Sidrolândia-MS. Atuação em orientação, educação e prevenção em saúde.

Danielle Luzia Ramos de Moraes Navarro;
Faculdade Prime
Mestra em Ensino de História (ProfHistória/UEMS) e Licenciada em Pedagogia (UNAES/Anhanguera). Especialista em Educação a Distância (UNIP) e em Educação Especial (Ucamprominas). Formada em Psicopedagogia clínica e institucional (UNINTER) e em Neuropsicopedagogia (Ucamprominas). Professora na Educação Básica nas Redes Municipais de Ensino do Mato Grosso do Sul e na Educação Superior. Membra do Grupo de Estudos e Pesquisas: Currículo, História e Cultura (GEPEH/MS). Atuação em Formação Inicial e Continuada de Professores. Atuação em Tutoria de Cursos de Pedagogia e cursos de Aperfeiçoamento em tecnologias na Educação. Docente e Coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade Prime

Anna Karolyna de Moraes Navarro
FACSUL – Faculdade Mato Grosso do Sul
Bacharel em Enfermagem (FACSUL – Faculdade Mato Grosso do Sul). Pós-graduanda em Enfermagem Neonatal (FAVENI).

RESUMO:
Este trabalho relata uma ação educativa do Programa Saúde na Escola (PSE) em Sidrolândia-MS, que promove a saúde e a qualidade de vida de crianças e adolescentes da rede pública. Criado em 2007 pelos Ministérios da Saúde e da Educação, o PSE busca incentivar cuidados integrais, cidadania e prevenção de doenças. O estudo analisou uma iniciativa no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) “Profª Michelle Maria Canejo”, realizada em parceria com a Estratégia de Saúde da Família (ESF) Diva Nantes e a equipe escolar. A ação utilizou atividades lúdicas e interativas para abordar temas como dengue, COVID-19, alimentação saudável e higiene das mãos, com o objetivo de engajar as crianças em práticas preventivas. Os resultados destacam a importância da intersetorialidade para o êxito das ações, mas também evidenciam desafios, como a necessidade de recursos didáticos e planejamento prévio. O estudo conclui que a articulação entre saúde e educação é essencial para potencializar os impactos do PSE, ampliando a promoção da saúde desde a infância.

PALAVRAS-CHAVE: Programa Saúde na Escola (PSE); Estratégia Saúde da Família (ESF); Educação infantil; Intersetorialidade; Temas transversais.

ABSTRACT:
This work reports on an educational action of the School Health Program (PSE) in Sidrolândia-MS, which promotes the health and quality of life of children and adolescents in public schools. Created in 2007 by the Ministries of Health and Education, the PSE seeks to encourage comprehensive care, citizenship and disease prevention. The study analyzed an initiative at the Municipal Center for Early Childhood Education (CMEI) “Profª Michelle Maria Canejo”, carried out in partnership with the Family Health Strategy (ESF) Diva Nantes and the school team. The action used playful and interactive activities to address topics such as dengue fever, COVID-19, healthy eating and hand hygiene, with the aim of engaging children in preventive practices. The results highlight the importance of intersectorality for the success of actions, but also highlight challenges, such as the need for teaching resources and prior planning. The study concludes that the articulation between health and education is essential to enhance the impacts of the PSE, expanding health promotion from childhood.

KEYWORDS: School Health Program (PSE); Family Health Strategy (ESF); Early childhood education; Intersectorality; Cross-cutting themes.

RÉSUMÉ:
Ce travail rend compte d’une action éducative du Programme de Santé Scolaire (PSE) de Sidrolândia-MS, qui promeut la santé et la qualité de vie des enfants et des adolescents dans les écoles publiques. Créé en 2007 par les ministères de la Santé et de l’Éducation nationale, le PSE vise à encourager la prise en charge globale, la citoyenneté et la prévention des maladies. L’étude a analysé une initiative du Centre Municipal d’Éducation de la Petite Enfance (CMEI) « Profª Michelle Maria Canejo », réalisée en partenariat avec la Diva de la Stratégie de Santé Familiale (ESF) Nantes et l’équipe de l’école. L’action a utilisé des activités ludiques et interactives pour aborder des sujets tels que la dengue, le COVID-19, une alimentation saine et l’hygiène des mains, dans le but d’impliquer les enfants dans des pratiques préventives. Les résultats soulignent l’importance de l’intersectorialité pour la réussite des actions, mais mettent également en lumière des défis, comme le besoin de ressources pédagogiques et de planification préalable. L’étude conclut que l’articulation entre la santé et l’éducation est essentielle pour améliorer les impacts des EPS, en élargissant la promotion de la santé dès l’enfance.

MOTS CLÉS : Programme de santé scolaire (PSE) ; Stratégie de santé familiale (FSE); Éducation de la petite enfance ; Intersectoralité ; Thèmes transversaux.

Introdução

O Programa Saúde na Escola (PSE) é uma política intersetorial que integra as áreas da saúde e da educação, visando promover a saúde e melhorar a qualidade de vida dos estudantes da rede pública. Criado em 2007 pelos Ministérios da Saúde (MS) e da Educação (MEC), o PSE busca incentivar cuidados integrais, cidadania e prevenção de doenças entre crianças e adolescentes (Brasil, 2007). A proposta do programa vai além dos cuidados básicos de saúde, incorporando a educação integral como parte de uma formação cidadã, permitindo que os estudantes compreendam, desde cedo, a importância de hábitos saudáveis e práticas preventivas para seu desenvolvimento (Fernandes *et al.*, 2022).
Conforme destacado por Fernandes et al. (2022), o PSE se destaca por sua capacidade de adaptação a diferentes contextos regionais e culturais, atendendo às necessidades específicas da infância e da adolescência em cada localidade. Essa flexibilidade é essencial para o sucesso do programa, que busca criar um ambiente escolar saudável e educativo, onde as crianças possam crescer de forma integral, usufruindo de sua infância.

Revisão de Literatura

O documento “Passo a Passo PSE: Programa Saúde na Escola: Tecendo Caminhos da Intersetorialidade” (Brasil, 2011) detalha os princípios que orientam as ações do PSE, incluindo a promoção da cidadania, a garantia dos direitos humanos e o fortalecimento das redes públicas de saúde e educação. O programa é organizado em três pilares fundamentais: avaliação das condições de saúde dos estudantes, promoção da saúde e prevenção de agravos, e capacitação contínua dos profissionais envolvidos.
As diretrizes do PSE, conforme estabelecidas pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2011), incluem:

I — Tratar a saúde e educação integrais como parte de uma formação ampla para a cidadania e o usufruto pleno dos direitos humanos; II — Permitir a progressiva ampliação intersetorial das ações executadas pelos sistemas de saúde e de educação com vistas à atenção integral à saúde de crianças e adolescentes; III — Promover a articulação de saberes, a participação dos educandos, pais, comunidade escolar e sociedade em geral na construção e controle social das políticas públicas da saúde e educação; IV — Promover a saúde e a cultura da paz, favorecendo a prevenção de agravos à saúde, bem como fortalecer a relação entre as redes públicas de saúde e de educação; V — Articular as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) às ações das redes de educação pública de forma a ampliar o alcance e o impacto de suas ações relativas aos educandos e suas famílias, otimizando a utilização dos espaços, equipamentos e recursos disponíveis; VI — Fortalecer o enfrentamento das vulnerabilidades, no campo da saúde, que possam comprometer o pleno desenvolvimento escolar; VII — Promover a comunicação, encaminhamento e resolutividade entre escolas e unidades de saúde, assegurando as ações de atenção e cuidado sobre as condições de saúde dos estudantes; VIII– Atuar, efetivamente, na reorientação dos serviços de saúde para além de suas responsabilidades técnicas no atendimento clínico, para oferecer uma atenção básica e integral aos educandos e à comunidade (Brasil, 2011, p. 7).

O PSE tem como objetivo garantir a atenção integral à saúde dos estudantes da rede pública, promovendo uma colaboração eficaz entre as equipes de Atenção Primária à Saúde, a educação básica e a comunidade escolar. Essa integração é essencial para o sucesso do programa, que busca criar um ambiente escolar saudável e educativo, onde as crianças possam crescer de forma integral, usufruindo de sua infância (Brasil, 2007; 2014).
Nas palavras de Assaife et al. (2024, p. 3), é o ambiente escolar um espaço concebido como essencial para o desenvolvimento crítico e político das crianças, contribuindo para a formação de valores, crenças e conceitos sobre o mundo. Nessa direção, a Estratégia de Saúde da Família foca em ações coletivas que integrem a interdisciplinaridade e a gestão intersetorial, conectando a escola a outros recursos sociais na comunidade, como associações de moradores e unidades de saúde (Brasil, 2007). Para a primeira infância, que abrange as crianças de zero a seis anos, a ação do PSE nas unidades escolares consolida-se na efetivação dos direitos dessas pequenas cidadãs, pois

conforme as DCNEIs, a Educação Infantil deve ter como objetivo garantir à criança acesso ao processo de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças (Navarro, 2022, p. 102).

Tal questão já é tratada nos documentos oficiais para a educação infantil desde 1998 quando os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI) ressaltaram que “o trabalho desenvolvido na Educação Infantil deve priorizar o cuidar e o educar como ações indissociáveis” (Navarro, 2022, p. 102). Nessa direção, o Programa Saúde na Escola (PSE) visa criar um ambiente saudável e educativo nas unidades escolares, permitindo que as crianças aproveitem plenamente sua infância. A integração da Estratégia de Saúde da Família com ações intersetoriais e recursos sociais é crucial para o sucesso do PSE, especialmente na primeira infância. Isso garante não apenas o acesso a um aprendizado diversificado, mas também a efetivação dos direitos das crianças, alinhando as práticas de cuidado e educação como ações indissociáveis.

Contextualização do Estudo

A ação educativa analisada neste estudo foi desenvolvida no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) “Profª Michelle Maria Canejo”, localizado em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. O CMEI atende crianças de 4 meses a 5 anos e é mantido pela Prefeitura Municipal de Sidrolândia, sendo administrado pela Secretaria Municipal de Educação. A ação foi realizada em parceria com a Estratégia de Saúde da Família (ESF) Diva Nantes, que cobre a área onde o CMEI está localizado.
A ESF Diva Nantes conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo enfermeiras, médicos, odontólogos, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde (ACS). A equipe da ESF realizou um planejamento cuidadoso e colaborativo com a equipe do CMEI, definindo os temas a serem abordados e as metodologias a serem utilizadas nas ações do PSE (Município de Sidrolândia/MS, 2024).
O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) “Profª Michelle Maria Canejo” está localizado na Rua Prudente de Morais, nº 700, no Conjunto Jardim Pindorama, em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. Mantido pela Prefeitura Municipal de Sidrolândia e administrado pela Secretaria Municipal de Educação, o CMEI atende crianças de 4 meses a 5 anos, oferecendo educação em período integral e parcial. A instituição tem um papel fundamental no desenvolvimento infantil, promovendo não apenas a educação, mas também a saúde e o bem-estar das crianças.
No contexto da Estratégia Saúde da Família (ESF) Diva Nantes, que atua na região de Sidrolândia-MS, o Programa Saúde na Escola (PSE) é implementado no CMEI Profª Michelle Maria Canejo por meio de um planejamento cuidadoso e colaborativo. Essa parceria entre a equipe da ESF e o CMEI envolve diversos profissionais das áreas de saúde e educação, garantindo que as ações do PSE sejam alinhadas às necessidades das crianças e da comunidade escolar.
No início de cada ano, a equipe da ESF Diva Nantes realiza uma reunião de planejamento, coordenada pela enfermeira gerente. Essas reuniões, que ocorrem quinzenalmente, contam com a participação de agentes comunitários de saúde (ACS), técnicos de enfermagem, odontólogos, médicos generalistas e outros profissionais da unidade. Durante o primeiro encontro do semestre de 2024, foram discutidos os eixos temáticos e as ações a serem desenvolvidas no âmbito do PSE. O planejamento incluiu a definição de duas ações anuais, escolhidas com base na relevância dos temas para o público-alvo e na elegibilidade das crianças participantes (Município de Sidrolândia/MS, 2024).
A enfermeira gerente, em conjunto com os ACS e demais profissionais, avalia a pertinência de cada tema e define como ele será abordado em campo. A seleção das ações é feita de forma integrada, combinando dois ou mais temas para ampliar o impacto educacional e de saúde nas crianças do CMEI. Após a definição dos temas, a enfermeira solicita o apoio dos profissionais da ESF para a execução das atividades, considerando as necessidades específicas de cada tema escolhido (Município de Sidrolândia/MS, 2024).
O planejamento e a execução das ações são supervisionados pela enfermeira gerente, que garante que todas as etapas sejam realizadas de acordo com as diretrizes do PSE. A equipe responsável por cada ação define a metodologia de abordagem e organiza os procedimentos necessários para sua realização. As metodologias podem variar desde palestras educativas até atividades práticas que envolvem diretamente as crianças e os profissionais da escola. Todos os profissionais da unidade de saúde podem ser envolvidos, dependendo da demanda e da temática escolhida. Os ACS, em particular, desempenham um papel fundamental no PSE, uma vez que suas atribuições incluem a promoção da saúde comunitária e a educação em saúde. Eles, juntamente com os demais profissionais da ESF, são responsáveis por organizar e liderar as ações dentro da escola, garantindo que a abordagem seja adaptada à faixa etária dos estudantes (Município de Sidrolândia/MS, 2024).
A execução das ações do PSE ocorre diretamente nas unidades escolares, como é o caso do CMEI Profª Michelle Maria Canejo, que está localizado na área de abrangência da ESF Diva Nantes. A comunicação entre a equipe de saúde e a escola é prévia e organizada, de modo que ambas as partes estejam cientes das atividades que serão realizadas. Essa colaboração entre saúde e educação é um ponto central do programa, garantindo que as ações sejam bem-sucedidas e alcancem o público-alvo de maneira eficaz.
As atividades são desenvolvidas de acordo com a faixa etária das crianças do CMEI, adaptando-se a linguagem e o conteúdo para que sejam compreensíveis e relevantes para os alunos. Como destacado por Navarro (2022, p. 105), “as crianças têm direito de serem apoiadas em suas iniciativas espontâneas e incentivadas a ampliar permanentemente conhecimentos a respeito do mundo, da natureza e da cultura, apoiadas por estratégias pedagógicas apropriadas”. Essa personalização é fundamental para o sucesso do programa, pois garante que as crianças absorvam o conteúdo de forma sólida e significativa.
Ao final de cada ação, a divulgação dos resultados é feita de forma conjunta entre a direção e a coordenação do CMEI e a equipe da ESF. A direção e coordenação escolar reúnem as informações com a comunidade escolar, enquanto os profissionais de saúde, especialmente os ACS, levam os resultados à população geral. Essa divulgação reforça o papel educacional e preventivo do PSE, além de registrar as ações na plataforma e-Sus (Município de Sidrolândia/MS, 2024). A divulgação é realizada de maneira voluntária pelos profissionais da saúde, que se empenham em promover as ações do programa e conscientizar a população sobre a importância da educação em saúde desde a primeira infância.
A parceria entre o CMEI Profª Michelle Maria Canejo e a ESF Diva Nantes no âmbito do PSE demonstra a importância da intersetorialidade entre saúde e educação. O planejamento cuidadoso, a execução de atividades adaptadas às necessidades das crianças e a divulgação dos resultados contribuem para o sucesso do programa, promovendo a saúde e o bem-estar das crianças desde os primeiros anos de vida.

Metodologia

No primeiro semestre de 2024, a equipe da ESF Diva Nantes realizou uma série de ações educativas no CMEI “Profª Michelle Maria Canejo”, com foco na promoção da saúde e prevenção de doenças. Os temas escolhidos foram: dengue, COVID-19, alimentação saudável, higienização das mãos e a doença conhecida como “mão-pé-boca”. Esses temas foram selecionados com base na relevância para a saúde pública local e no contexto epidemiológico da região (Município de Sidrolândia/MS, 2024).
Durante o planejamento, foram estabelecidos dias e horários adequados para a realização das ações no CMEI, assegurando uma organização integrada entre saúde e educação. Esse diálogo intersetorial foi fundamental para o sucesso do projeto, pois permitiu a criação de um ambiente colaborativo e receptivo, tanto para os profissionais de saúde quanto para os educadores do CMEI.
As ações foram direcionadas para crianças com idades entre 3 e 5 anos, utilizando metodologias e recursos adequados à faixa etária. Uma equipe de agentes comunitários de saúde (ACS), liderada pela enfermeira da ESF, organizou as atividades, realizou pesquisas e elaborou estratégias para desenvolver um trabalho educativo e lúdico que abordasse todos os temas selecionados. Os ACS desempenharam um papel central no planejamento e na execução das ações, criando um ambiente propício para o aprendizado das crianças sobre saúde e prevenção.
Um dos aspectos importantes na execução das ações foi a decisão dos profissionais da ESF, especialmente dos ACS, de não utilizarem jalecos brancos ou uniformes médicos durante as atividades. Essa escolha teve como objetivo criar um ambiente acolhedor e amigável, facilitando a receptividade das crianças. Essa abordagem permitiu que as crianças se sentissem mais confortáveis e abertas ao aprendizado, uma vez que não associaram os profissionais a um ambiente hospitalar, o que poderia causar desconforto ou medo.
As atividades foram desenvolvidas de forma lúdica e interativa, utilizando recursos concretos como histórias, frutas, tampinhas de garrafas e outros objetos visuais e táteis. A equipe da ESF optou por não utilizar jalecos brancos ou uniformes médicos durante as atividades, visando criar um ambiente acolhedor e amigável para as crianças (Município de Sidrolândia/MS, 2024).
Para tornar as atividades mais interessantes e de fácil compreensão, a equipe utilizou recursos concretos e interativos, como histórias, uma caixa-surpresa contendo elementos relacionados aos temas, frutas, tampinhas de garrafas e outros objetos visuais e táteis. Esses materiais foram escolhidos para tornar o aprendizado mais envolvente e estimular a curiosidade das crianças, permitindo que elas interagissem diretamente com o conteúdo. Como destacado por Carvalho (2015, p. 1221), “ao atuar em escolas, os profissionais de saúde podem utilizar as práticas pedagógicas como importante ferramenta”. A inclusão de frutas, por exemplo, foi especialmente relevante para o tema da alimentação saudável, ajudando a explicar conceitos de nutrição e a promoção de escolhas alimentares saudáveis.
Para abordar o tema da alimentação saudável, os ACS levaram ao CMEI uma caixa-surpresa contendo diversas frutas. A atividade consistia em as crianças colocarem a mão na caixa, sentirem a textura da fruta e tentarem identificá-la. A cada fruta retirada, os profissionais explicavam as propriedades nutricionais e a importância desse alimento para a saúde. No final da atividade, as crianças foram incentivadas a degustar as frutas, permitindo que, além de aprenderem sobre os alimentos, também experimentassem seus sabores e benefícios.
Para conscientizar sobre a importância da higienização das mãos na prevenção de doenças, foi realizada uma atividade prática que utilizou elementos lúdicos para ilustrar o funcionamento do sabão contra vírus e bactérias. Em um prato com água, foi colocado orégano ou pimenta-do-reino para representar o “vírus”. As crianças foram orientadas a tocar o orégano com o dedo, simulando a “contaminação”, e, em seguida, a mergulhar o dedo em um prato com água e detergente. Ao perceber que o “vírus” se afastou da superfície do sabão ao entrar em contato com ele, as crianças puderam visualizar como a higienização com sabão é eficaz para remover impurezas e microrganismos. Essa dinâmica reforçou a importância de lavar as mãos como medida preventiva.
Outra atividade relacionada à higienização envolveu o uso de brilho/glitter, que serviu como metáfora para os germes. As crianças passaram o brilho/glitter nas mãos e, ao tentarem limpar, perceberam que ele se espalhava facilmente pelos objetos que tocavam. Esse exercício reforçou a ideia de que, assim como o brilho, os vírus e bactérias se espalham facilmente quando as mãos não estão devidamente higienizadas, conscientizando-as sobre a importância de uma boa higiene das mãos.
Para abordar o tema da dengue, uma doença endêmica na região, os ACS contaram uma história para as crianças, explicando de maneira lúdica os riscos associados à dengue e a importância de eliminar os focos do mosquito *Aedes aegypti*. Após a narrativa, os ACS espalharam tampas de garrafa PET pelo pátio da escola, representando possíveis criadouros de mosquitos. As crianças foram convidadas a participar de uma simulação de limpeza, coletando as tampinhas e aprendendo sobre o papel da comunidade na prevenção da dengue. Esse exercício foi essencial para mostrar às crianças, de forma prática e concreta, a importância de manter o ambiente limpo e livre de recipientes que possam acumular água parada.
A utilização de metodologias lúdicas e interativas, aliada à adaptação dos conteúdos à faixa etária das crianças, garantiu que os temas fossem compreendidos e assimilados de forma significativa. A colaboração entre a equipe da ESF e os educadores do CMEI foi fundamental para o sucesso das ações, reforçando a importância da intersetorialidade entre saúde e educação na promoção de hábitos saudáveis desde a infância.

Resultados e Discussão

As ações do PSE no CMEI “Profª Michelle Maria Canejo” foram bem-sucedidas, com alta receptividade por parte das crianças, da equipe pedagógica e das famílias. As crianças demonstraram curiosidade e entrosamento durante as atividades, internalizando os conhecimentos adquiridos e compartilhando-os com suas famílias. A colaboração entre as equipes de saúde e educação foi essencial para o sucesso das ações, criando um ambiente de aprendizagem leve e divertido (Gonçalves et al., 2008).
Os resultados da ação educativa desenvolvida pela Estratégia Saúde da Família (ESF) Diva Nantes no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Profª Michelle Maria Canejo, em Sidrolândia-MS, no primeiro semestre de 2024, foram amplamente positivos, tanto em termos de interação e receptividade quanto ao impacto gerado sobre as crianças, a equipe pedagógica e as famílias envolvidas. A receptividade da equipe pedagógica do CMEI foi um fator crucial para o desenvolvimento e a implementação das ações do Programa Saúde na Escola (PSE). Os profissionais da educação não apenas acolheram as atividades propostas pela ESF, mas também forneceram o apoio necessário para integrar essas ações à rotina escolar, criando um ambiente favorável à participação das crianças e ao sucesso do programa.
Conforme destacado por Gonçalves et al. (2008, p. 190), os representantes da equipe pedagógica, especialmente as professoras, devem ser considerados elementos essenciais na equipe de saúde escolar. Sua proximidade com os alunos, aliada à sua capacidade de comunicação, os torna aliados valiosos na promoção da saúde. Nesse sentido, as professoras, que têm contato diário com as crianças, desempenharam um papel fundamental ao compreender a realidade social e cultural de cada aluno, facilitando a adaptação das atividades às necessidades específicas do grupo.
A colaboração ativa entre as equipes de saúde e educação reforçou a importância da parceria intersetorial, permitindo que as ações do PSE fossem conduzidas de maneira harmônica e eficiente. Essa integração garantiu uma adaptação adequada ao ambiente escolar e um maior envolvimento das crianças, criando uma atmosfera de aprendizagem onde os conhecimentos sobre saúde foram transmitidos de forma leve e divertida. A abordagem lúdica e interativa das atividades permitiu que as crianças, com idades entre 3 e 5 anos, participassem com curiosidade e entrosamento, fazendo perguntas, interagindo com os materiais pedagógicos e absorvendo as informações de maneira formativa.
A participação das crianças foi um dos principais indicadores do sucesso da ação. Além de seguirem as orientações dos profissionais de saúde, elas internalizaram os conhecimentos adquiridos e os compartilharam com suas famílias. Um exemplo concreto desse impacto foi o fato de as crianças chegarem em casa e relatarem, com entusiasmo, o que aprenderam sobre a importância de lavar as mãos e os cuidados para prevenir a dengue. Esse retorno demonstra o poder transformador da educação em saúde desde a infância, mostrando como as crianças podem se tornar agentes multiplicadores de conhecimento dentro de suas próprias famílias.
A receptividade da equipe pedagógica do CMEI também foi um aspecto relevante para o sucesso da ação. As professoras e demais membros da equipe escolar participaram ativamente das atividades, interagindo com as crianças e os profissionais da ESF. Essa integração reforçou a importância de uma abordagem colaborativa entre saúde e educação, criando um ambiente mais acolhedor e envolvente para as crianças. A presença das professoras durante as atividades foi fundamental para conectar o conteúdo de saúde ao cotidiano educacional, facilitando a assimilação dos conceitos pelas crianças.
Além disso, houve um retorno positivo por parte das famílias das crianças. Ao frequentarem o posto de saúde, pais e familiares relataram que as crianças voltaram para casa empolgadas, compartilhando o que aprenderam sobre temas como higienização das mãos e prevenção da dengue. Esses relatos indicam que a ação ultrapassou os limites da sala de aula, impactando também as famílias, que foram incluídas no processo educativo e de conscientização em saúde. Esse envolvimento familiar ampliou o alcance das ações do PSE, transformando as crianças em agentes de educação dentro de suas próprias casas.
Apesar dos resultados positivos, a ação educativa também evidenciou áreas que necessitam de aperfeiçoamento para que futuras intervenções sejam ainda mais eficazes. Foram identificados desafios, como a falta de materiais educativos impressos e a necessidade de um planejamento mais estruturado desde o início do ano letivo. A produção de materiais educativos e a realização de reuniões de planejamento antecipadas poderiam potencializar os resultados e ampliar o impacto do PSE (DallaCosta, 2022).
A fixação de cartazes ou a distribuição de folhetos informativos para as famílias poderia reforçar as mensagens trabalhadas durante a ação, prolongando o impacto das atividades. Materiais visuais como esses são importantes para fixar o conteúdo abordado e poderiam ajudar tanto as crianças a se lembrarem dos ensinamentos quanto às famílias a se envolverem ainda mais no processo. Atualmente, os materiais utilizados nas atividades são adquiridos pelos próprios profissionais de saúde, o que limita a variedade e a quantidade de recursos disponíveis. A produção de materiais educativos específicos para o programa garantiria que as ações fossem mais consistentes e abrangentes, proporcionando uma experiência educativa ainda mais rica para as crianças.
A ação educativa desenvolvida no CMEI Profª Michelle Maria Canejo no primeiro semestre de 2024 demonstrou a eficácia do PSE na promoção da saúde e na prevenção de doenças entre as crianças. A colaboração entre as equipes de saúde e educação, aliada à utilização de metodologias lúdicas e interativas, garantiu que os temas fossem compreendidos e assimilados de forma significativa. O envolvimento das famílias e o retorno positivo das crianças destacam o potencial transformador da educação em saúde desde a infância.
Por fim, verificou-se a necessidade de uma reunião de planejamento entre a equipe pedagógica do CMEI e a equipe da ESF já no início do ano letivo, pois essa familiaridade facilita não apenas a identificação de necessidades específicas, mas também a implementação de estratégias de saúde que ressoem com o contexto de vida dos alunos, potencializando assim o impacto das ações de saúde na escola (Gonçalves et al., 2008, p. 190). Esse encontro permite que as ações educativas sejam melhor articuladas, garantindo uma maior integração entre as atividades escolares e as ações de saúde, já que

As escolas participantes do PSE devem incluir em seu projeto político pedagógico os temas das atividades em saúde desenvolvidas, os quais devem ser debatidos em sala de aula pelos professores, assessorados pelos profissionais de saúde das Unidades Básicas de Saúde de referência (critério de proximidade), com agendas programadas para esse fim (Oliveira et al, 2018, p. 2892).

Nesse sentido, um planejamento antecipado e colaborativo entre as duas equipes poderia aumentar a sensibilização da comunidade escolar e melhorar o aproveitamento das atividades do PSE, otimizando os recursos disponíveis e ampliando o impacto positivo da iniciativa como destaca DallaCosta (2022, p. 255), explicitando que “[…] a principal fragilidade no PSE refere-se à desarticulação intersetorial, demonstrando ser o principal problema enfrentado pelos profissionais de saúde e de educação, justificando práticas desarticuladas que podem dificultar ações promotoras de saúde”. Considera-se esse um ponto a ser discutido reflexivamente projetando ações futuras assertivas e sólidas.

Considerações Finais

O Programa Saúde na Escola (PSE) consolidou-se como uma estratégia eficaz para a integração entre saúde e educação, promovendo o desenvolvimento saudável das crianças e fortalecendo os laços comunitários. No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Profª Michelle Maria Canejo, a atuação da Estratégia Saúde da Família (ESF) Diva Nantes evidenciou o impacto positivo de atividades planejadas e executadas de forma colaborativa, envolvendo profissionais de saúde, educadores, crianças e familiares. A abordagem lúdica e prática adotada nas ações contribuiu para que os conteúdos sobre saúde fossem assimilados de maneira significativa, permitindo que as crianças adquirissem conhecimentos sobre práticas saudáveis desde os primeiros anos de vida.
A experiência no CMEI Profª Michelle Maria Canejo demonstrou que a intersetorialidade e o planejamento conjunto entre saúde e educação são pilares fundamentais para o sucesso das ações do PSE. No entanto, também destacou a necessidade de aprimoramentos em aspectos como a disponibilização de materiais educativos e a estruturação de um diálogo intersetorial mais robusto desde o início do ano letivo. Tais ajustes têm o potencial de ampliar os resultados do programa, tornando a educação em saúde mais integrada, eficaz e duradoura.
O alcance nacional do PSE, conforme destacado por Fernandes *et al.* (2022), reflete a capacidade do programa de adaptar-se às diversas realidades regionais, promovendo a saúde e a educação integral em um país marcado por grande diversidade social e cultural. Essa flexibilidade é um dos pontos fortes do PSE, permitindo que ele atenda às necessidades específicas de cada comunidade, ao mesmo tempo em que mantém um foco comum na promoção da saúde e no desenvolvimento cidadão das crianças e adolescentes.
A continuidade do PSE e o aprimoramento das práticas intersetoriais são essenciais para fortalecer a promoção da saúde nas escolas. Ao respeitar as especificidades locais e integrar-se de forma mais profunda com as comunidades, o programa pode contribuir para uma formação mais ampla e cidadã das novas gerações. A experiência em Sidrolândia-MS reforça a importância de investir em recursos educativos, capacitação dos profissionais e planejamento estratégico, garantindo que o PSE continue a ser uma ferramenta transformadora na vida das crianças, das famílias e das comunidades.
Em síntese, o PSE mostrou-se uma iniciativa de grande relevância para a promoção da saúde e da educação no Brasil. Sua capacidade de unir diferentes setores e adaptar-se às realidades locais faz dele um modelo eficaz para o desenvolvimento integral das crianças. Com ajustes e investimentos contínuos, o programa tem o potencial de ampliar ainda mais seu impacto, contribuindo para a construção de uma sociedade mais saudável, consciente e participativa.

Referências
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