SAÚDE MENTAL DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM NO BRASIL: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA NARRATIVA SOBRE A INCIDÊNCIA DE TRANSTORNOS MENTAIS NA GRADUAÇÃO

DOI: 10.61270/2764-7641.2025.007

João Leite Pereira Júnior
Graduação em Fisioterapia, Docente da rede de Ensino CETEPS campus Campo Grande, MS
Thais Regina Leandro dos Santos
Graduação em Enfermagem, Coordenadora da Graduação de Enfermagem da Faculdade Prime, coordenadora do curso técnico de Enfermagem da Rede CETEPS, campus Campo Grande, MS.

RESUMO:
A saúde mental dos estudantes universitários, em especial do corpo discente da graduação em
Enfermagem no Brasil, tem sido tema de crescente preocupação acadêmica e institucional. A
presente revisão bibliográfica narrativa teve por objetivo investigar, em estudos brasileiros
publicados nas bases de dados SciELO, LILACS, BIREME/BVS e Repositório da Produção USP,
os principais transtornos mentais que acometem esse público, bem como as causas associadas ao
adoecimento psíquico. A análise evidenciou elevada prevalência de ansiedade, depressão, estresse
e sintomas da Síndrome de Burnout. Fatores como sobrecarga acadêmica, exigências emocionais
do curso, inserção precoce no ambiente hospitalar e escasso suporte institucional foram destacados
como gatilhos principais. As evidências sinalizam a urgência de estratégias de acolhimento e
prevenção em saúde mental nos cursos de Enfermagem. Conclui-se que é imprescindível integrar
políticas de cuidado psíquico à formação profissional para promover um ambiente de aprendizagem
mais saudável e, como consequência, profissionais da Enfermagem aptos a lidarem
emocionalmente com os desafios do mercado de trabalho em saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde mental; Estudantes de Enfermagem; Transtornos mentais; Ensino
superior; Revisão bibliográfica.

ABSTRACT:
The mental health of university students, particularly those enrolled in undergraduate Nursing
programs in Brazil, has become a growing concern in academic and institutional contexts. This
narrative literature review aimed to investigate, in published Brazilian studies in the SciELO,
LILACS, BIREME/BVS and Repositório da Produção USP, databases, the main mental disorders
affecting this population, as well as the causes associated with psychological distress. The analysis
revealed a high prevalence of anxiety, depression, stress, and symptoms of Burnout Syndrome.
Factors such as academic overload, emotional demands of the program, early exposure to the
hospital environment, and limited institutional support were highlighted as key triggers. The
evidence points to the urgent need for strategies of support and prevention in mental health within
Nursing programs. It is concluded that integrating mental health care policies into professional
training is essential to promote a healthier learning environment and, as a consequence, nursing
professionals who are able to deal emotionally with the challenges of the health job market.
KEYWORDS: Mental health; Nursing students; Mental disorders; Higher education; Literature
review.

1. Introdução

A formação universitária em Ciências da Saúde, ainda que resulte na nobre missão de
cuidado ao ser humano em sofrimento físico, psíquico ou social por parte de seus egressos, expõe
os estudantes a múltiplas pressões emocionais, sociais e acadêmicas. Aspectos como a privação de
sono e redução de momentos de lazer diante da carga horária destes cursos, problemas de
relacionamento típicos da faixa etária acadêmica média junto às suas famílias e amigos, colegas de
turma e docentes, podem ser apontados como fatores desencadeantes de transtornos mentais
(SOUZA et al, 2025).
No ensino superior em Enfermagem, diversos estudos sinalizam, ao longo dos anos, para
o agravamento do sofrimento psíquico entre os discentes deste curso, que enfrentam, além das
dificuldades comuns aos demais estudantes universitários, o contato precoce com a dor, o
sofrimento e a morte nos estágios clínicos além do acesso facilitado a fármacos psicotrópicos,
predispondo ao uso abusivo e à automedicação.

2. Objetivos

A presente revisão bibliográfica narrativa tem como objetivo analisar, de forma
comparativa, as principais evidências científicas publicadas no Brasil acerca da saúde mental e da
incidência de transtornos psíquicos entre estudantes de graduação em Enfermagem no Brasil.
Visa ainda investigar a prevalência e os fatores associados aos transtornos mentais nestes
futuros enfermeiros e enfermeiras, com base em literatura científica publicada entre 2015 e 2025.
3. Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa realizada nas bases de dados SciELO,
LILACS, BIREME/BVS e Repositório da Produção USP. Os descritores utilizados foram: “saúde
mental”, “estudantes de enfermagem”, “transtornos mentais” e “ensino superior”. Foram incluídos
artigos em português, publicados entre 2015 e 2025, que abordassem exclusivamente estudantes
de graduação em Enfermagem no Brasil e incluíssem análise de seus estados psíquicos ou
qualidade de saúde mental. Tal critério considerou o levantamento dos dados em períodos similares
prévios e posteriores à Pandemia por COVID-19, visando equilibrar possíveis interferências quanto
ao comportamento padrão de todos os que viveram neste período, já evidenciado por fasta literatura
sobre o tema. Artigos voltados à pesquisas sobre a saúde mental de profissionais formados ou
estudantes de outros cursos foram excluídos.

4. Resultados e Discussão

Foram selecionados seis artigos contemplados pelos critérios de inclusão. A maioria
apontou prevalência elevada de transtornos de ansiedade, presente em até 80% dos estudantes,
segundo alguns estudos.
No tocante à investigação de transtorno de ansiedade, MENDONÇA (2020) concluiu que
15,8% estudantes estavam nos níveis normal e leve, 84,2% nos níveis moderado a extremamente
severo, sendo 53,7% extremamente severo.
Quando pesquisada a presença de depressão, a média dos achados variou entre 25% e
73,2%. MENDONÇA (2020) identificou 26,8% estudantes nos níveis normal e leve, 73,2% nos
níveis moderado a extremamente severo, sendo 41,5% extremamente severo. Já RODRIGUES
(2023) evidenciou que 25% dos estudantes pesquisados apresentaram sintomas depressivos
graves, podendo incluir ideação suicida.
Sobre a presença de sinais e sintomas de estresse, os autores demonstram índices acima
de 50%. Sintomas relacionados à Síndrome de Burnout foram relatados em cerca de 30% dos
participantes da pesquisa de MENDONÇA (2020), que também relatou níveis variados de estresse,
20,7% estudantes estavam nos níveis normal e leve, 79,3% nos níveis moderado a extremamente
severo, sendo 31,7% em nível severo.
Importante salientar que não foram identificados estudos que relacionassem as queixas
dos alunos à quantificação laboratorial do hormônio esteróide cortisol, um importante marcados
para esse fenômeno mental que pode ser precursor de inúmeras outras formas de padecimento
(YAMAGUTI, 2015). Todos foram baseados apenas em questionários com ou sem validação
científica, comprometendo assim a confiabilidade estatística. De toda forma, denotando o
incômodo dos indivíduos pesquisados quanto ao seu bem-estar e qualidade de sua saúde mental.
Considerando o conjunto caracterizado como Transtornos Mentais Comuns (TMC),
dentre os quais figuram sintomas variados de depressão, ansiedade ou manifestações somáticas,
porém não enquadrados na DSM-5, 41% dos alunos de Enfermagem em uma Universidade no
Estado de Minas Gerais apresentaram um ou mais sintomas, índice igualmente preocupante
considerando o grau de incapacidade que esses sintomas, principalmente se concomitantes, podem
causar no indivíduo (SILVA, 2019).
SOUZA (2025) aponta como resultado de sua pesquisa um índice alarmante de alunos de
Enfermagem (95%) com algum prejuízo em suas funções mentais dentre os quais ansiedade,
estresse e depressão no período da Pandemia por COVID-19. Se considerados um ou outro dos
sintomas, desconsiderando fatores qualitativos, esse estudo corrobora com os demais estudos.
Em sua totalidade, os estudos analisados destacam que estudantes de Enfermagem são
propensos a variadas formas de alterações em sua saúde mental.
Diante das atribuições específicas da área para a qual se voltarão profissionalmente, estes
estudantes estão mais propensos ao estresse e aos transtornos mentais que acadêmicos de outras
áreas do conhecimento (HIRSCH, 2015).
Os principais fatores associados ao adoecimento psíquico em jovens estudantes de
Enfermagem, comum a todos os artigos investigados foram: sobrecarga curricular, dificuldade de
conciliar estudo e trabalho, baixa autoestima, exposição precoce a situações críticas nos campos de
estágio, pressão por desempenho acadêmico e ausência de redes de apoio institucional. Alguns
autores destacam ainda a dificuldade de acesso ao suporte psicológico dentro das universidades.
Problemas de relacionamento familiar, entre amigos, colegas de turma e professores também são
citados (SOUZA, 2025). Há ainda o distanciamento dos genitores e da rede de apoio emocional
anterior do jovem estudante, com tempos mais prolongados fora de seu lar e dificuldades de
inserção social em um grupo diverso do grupo escolar de Ensino Médio como fatores de
predisposição ao sofrimento emocional elencados (SILVA, 2019). Problemas no gerenciamento do
tempo e a falta de apoio emocional foram citados e mais de um estudo (YOSETAKE, 2018;
SOUZA, 2025).
Por seu turno, RODRIGUES (2023) aponta pesquisas relacionando associação entre o
tempo de ingresso no curso superior e a quantidade e qualidade dos sintomas apresentados,
demonstrando que os estudantes de Enfermagem, conforme o tempo de ingresso no curso,
registram índices significativamente maiores de depressão em séries iniciais se comparados aos
alunos de últimos anos. Tal feito corrobora com os demais autores ora investigados, que sugerem
que o período de transição entre Ensino Médio e Ensino Superior e as dificuldades de adaptação
possam contribuir com o quadro de saúde mental disfuncional.
Esses dados revelam que há sofrimento mental identificável entre os estudantes de
Enfermagem e indicam a necessidade de providências nesta seara, incluindo mudanças estruturais
nas instituições de ensino que comportem o suporte à saúde mental desde o início do curso.

5. Considerações finais

A presente revisão evidencia um panorama preocupante em relação à saúde mental dos
estudantes de Enfermagem no Brasil. A intensidade das demandas acadêmicas e emocionais do
curso, aliada à fragilidade das políticas institucionais de apoio, em um período de vida na qual há
uma propensão natural às incertezas e inseguranças, torna esse grupo particularmente vulnerável
ao desenvolvimento de transtornos mentais.
Como o período investigado comportou publicações prévias e posteriores à pandemia por
COVID-19, nota-se que a tríade ingresso ao ensino superior – Enfermagem – transtornos mentais
atrai o interesse científico por parte dos pesquisadores há muito anos, mas se intensificou após
2020. Porém evidencia-se a carência de estudos que proponham soluções práticas e céleres para a
celeuma.
Diante dos fatores causais apontados, pode-se concluir que é necessária a implementação
de medidas preventivas e de acolhimento, tais como apoio psicológico contínuo, adaptação
curricular e espaços de escuta ativa, de modo a garantir o bem-estar psíquico dos futuros
profissionais da saúde, afinal, cuidar da saúde do paciente implica necessariamente em ter uma
base emocional estável e coesa com essa exigência.

AGRADECIMENTOS
À Faculdade Prime e Rede de Ensino CETEPS e às instituições que promovem e
incentivam a pesquisa científica no campo da saúde mental e do ensino superior.

REFERÊNCIAS

MENDONÇA, G. A. Níveis de depressão, ansiedade e estresse em estudantes de enfermagem e
intervenções para manejo. 2020. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão
Preto, 2020. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-17032021
104041/. Acesso em: 09 maio 2025.
RODRIGUES, M. V. M.; MAESTER, L. C. G.; RAMOS, K. L. A. N.; SILVA, H. S.; ARAÚJO,
C. M.; NOGUEIRA, L. E. F. L.; EVANGELISTA, D. M.; NASCIMENTO, J. C. C. Sintomatologia
depressiva em estudantes de enfermagem: revisão integrativa. Saúde Coletiva (Barueri), v. 13, n.
88, p. 13401–12775, 2023.
Disponível em: https://revistasaudecoletiva.com.br/index.php/saudecoletiva/article/view/3141. Acesso em: 10
maio 2025.
SILVA, P. L. B. C.; SILVA, B. F. F.; CHAGAS, K. K. A. C. R.; TORTOLA, M. B. A.;
CALDEIRA, R. L. R. Transtorno mental comum entre estudantes de enfermagem e fatores
envolvidos. Rev. Enferm. Cent.-Oeste Min.,v.9,2019.Disponível https://seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/3191. Acesso em: 10 maio 2025.
SOUZA, R. V. de; SANTOS, G. S. dos; ALMEIDA, M. C. de; NICOLUSSI, A. C. Conhecimento
e uso de práticas integrativas e sintomas psicológicos de alunos de graduação em enfermagem.
Rev. Enferm Atenção Saúde, 2025. Disponível https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1592078. Acesso em: 9 mai 2025.
YAMAGUTI, S. T. F., MENDONÇA, A. R. B. de ., COELHO, D., MACHADO, A. L., & SOUZA
TALARICO, J. N. de. Padrão atípico de secreção de cortisol em profissionais de Enfermagem.
Revista Da Escola De Enfermagem Da USP, 49(spe), 109–116. 2015. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/S0080-623420150000700016. Acesso em 12 maio 2025.
YOSETAKE, A. L.; CAMARGO, I. M. L.; LUCHESI, L. B.; GHERARDI-DONATO, E. C. S.;
TEIXEIRA, C. A. B. Estresse percebido em graduandos de enfermagem. SMAD, Rev. Eletr. Saúde
Mental Drog.,v.14, n.2, p. 117–124, 2018. Disponível https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-979089. Acesso em: 10 maio 2025.
HIRSCH, C. D., BARLEM, E. L. D., ALMEIDA, L. K. de ., TOMASCHEWSKI-BARLEM, J.
G., FIGUEIRA, A. B., LUNARDI, V. L. Estratégias de coping de acadêmicos de enfermagem
diante do estresse universitário. Revista Brasileira De Enfermagem, 2015. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/reben/a/Z8JD3qbpmgdq7PjxtdNRMmz/?lang=pt. Acesso em: 08 maio
2025.

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Faculdade Prime | Rua Brasil, nº 616, Bairro Monte Castelo, Campo Grande/MS – CEP 79010-230
    Desenvolvido por